domingo, 11 de julho de 2010

_ descarnar o ódio, quisera..._
        anadeabrão merij

                                                         

o poema vocifera em meus lábios

não há fuga possível, ainda que habite distâncias

a barbárie desperta palavras contidas com suas esporas

fere o verbo escondido com suas afiadas lanças



quisera esconder-me num lugar de nome bonito

a buscar outras rimas, saídas da terra, brotadas entre hibiscos e magnólias

não aqui, posto que a bestialidade do homem se avizinha a polir ossos do ódio

nos destinos de mércias e elisas, neste luto brutal de todas as horas



quisera a morada de outrora , quando debruçada sobre o nada

cantava encarnações de alegrias

a jorrar dilúvios de poesias alvejadas

num rio de inaugurar magias



sim,

o silêncio era ontem

não este que me acende agora

imundo de ódio



hoje...

o silêncio da morte é quem me acorda

nestes versos sujos de sangue

tecidos na revolta



quisera descarnar os corpos dos assassinos

alimentar seus cães com suas almas pérfidas

e,

sem piedade ouvir seus gritos



oh! deus quisera...

o teu cajado, o teu juízo, a tua mais forte ira :

-para justiça da dor destas meninas!



anadeabrão merij

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