domingo, 11 de julho de 2010

_ descarnar o ódio, quisera..._
        anadeabrão merij

                                                         

o poema vocifera em meus lábios

não há fuga possível, ainda que habite distâncias

a barbárie desperta palavras contidas com suas esporas

fere o verbo escondido com suas afiadas lanças



quisera esconder-me num lugar de nome bonito

a buscar outras rimas, saídas da terra, brotadas entre hibiscos e magnólias

não aqui, posto que a bestialidade do homem se avizinha a polir ossos do ódio

nos destinos de mércias e elisas, neste luto brutal de todas as horas



quisera a morada de outrora , quando debruçada sobre o nada

cantava encarnações de alegrias

a jorrar dilúvios de poesias alvejadas

num rio de inaugurar magias



sim,

o silêncio era ontem

não este que me acende agora

imundo de ódio



hoje...

o silêncio da morte é quem me acorda

nestes versos sujos de sangue

tecidos na revolta



quisera descarnar os corpos dos assassinos

alimentar seus cães com suas almas pérfidas

e,

sem piedade ouvir seus gritos



oh! deus quisera...

o teu cajado, o teu juízo, a tua mais forte ira :

-para justiça da dor destas meninas!



anadeabrão merij
                                                         LETRAS & ARTES

sexta-feira, 2 de julho de 2010


Não te perdi...

Neyde Noronha

Quantos anos se passaram
Com eles ficaram apenas as lembranças
Do primeiro encontro
Cobertos de alegria

Onde andaria o meu verdadeiro amor
Que se foi no tempo
Na saudade
Sem futuro, talvez
Distante, em outro país

Tenho dúvidas
Se ainda lembras de mim
Encontros furtivos
Encontros vividos
Tuas e minhas declarações
Uma paixão, um amor eterno
Escritos em versos,
Em poemas, no nosso caderno


Nos jardins do aterro
Éramos dois jovens apaixonados
Muitas saudades
Beijos roubados

Tudo se fizera para nos separar
Trocaram as nossas vidas
Por outras vidas
Que não mereciam
Fizeram tudo para nos afastar


Sei onde estás hoje
Mas não sei onde estaríamos
Em que festa nos reuniríamos
Em que dia nos encontraríamos
(Triste verdade...)


Procuro nas páginas da vida
Falo com os mais próximos
Nem o teu nome se diz mais
Onde andaria o amor que perdi?
Talvez na espera do amanhã

Quem sabe

Como eu
Que nunca te esqueci
O tempo te levou de mim...
Ficaram marcas da desavença
De outros, sem piedade

E o futuro chegou,
Roubando de mim o teu consolo,
O teu paciente olhar,
As trocas e confidências.

O hino de independência alcancei
Mas tu foste embora
Creio
Não te perdi

Como um perfume de quem chega
Sonhei com a tua vinda
Ainda temos tempo!

Me abraça
Me beija
Fica comigo eternamente.
Volta para mim.

2/6/2010

Dedico a alguém muito especial P.S...
























terça-feira, 29 de junho de 2010

Olhos tristes de menino

                                                                                  
Olhos tristes de menino
Neyde Noronha

Já não estou tão triste
Me desfiz daquele sonho
Um sonho apenas
Que tanto me fez sofrer.

Enquanto estavas longe de mim
Vivia imaginando
Que estaria nos teus braços
Em meus sonhos,
Em todos eles
Pensava e não podia resistir
Em te esperar a cada encontro
Em troca de um pequeno e doce afago

Com o passar do tempo
Tu te  afastou
Sabendo que a outras entregas, o que desejo

Sim
Não fosse o teu insistente poder de sedução
No primeiro beijo
Já, tão distante
Teria entendido o futuro que me esperava

Um simples beijo,
Dar-me-ia por contente
Seria um basta para mim
Mas o teu olhar,
Tua procura insistente
Acabou por me render

Sabendo que nunca te alcançaria!
Nos teus olhos tristes de  menino
Percebi, bem depois
Que  só querias  brincar de amor.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Em mim
Neyde Noronha

Sempre esperei por ti
O mais que necessário
Por muitas estações
Nas nascentes dos rios
Nos lagos centenários
Sonhei que te recebi em meu leito
Como a lua em meu peito


A espera continua
Até desabrochar a certeza
Que as vezes penso como seria
Através de um sorriso
Ou apenas um olhar...
Como estariam hoje os teus olhos
Tua voz calaria a minha, sufocante
Em todos os instantes


Se for na primavera
Me trarias flores
No verão um sorvete de morango
No outono um bom-bom
No inverno um grande abraço
Agasalho terno e amoroso


Quem sabe falaríamos de Anjos
De qualquer coisa banal, talvez
Quem sabe do Luar
De Deus
Dos filhos que criei
Dos teus
Ou deles nada falarias


Apenas olharíamos um para o outro
Confidenciariamos apenas com o nosso olhar
A longa ausência do encontro
Da demora em vir me buscar

Até então continuarei sonhando
Com este dia
Quando o meu desejo virá caminhando
Dentre as nuvens,
pelos caminhos da terra,
navegante,
nos meus sonhos,
ou em mim, apenas, em mim...


















domingo, 27 de junho de 2010

Art by Guillermo Manrique

Saí da tua vida

Neyde Noronha

Porque tanto tempo de espera

quando a saudade apertava,

enquanto falava dela.

Por simples instantes juntos

Falo hoje da saudade

Que me invadia a alma

Hoje é assunto desgastado.

Se penso em ti, troco de lugar no assento de minha sala,

na minha cama, no meu recanto.

Tantas ausências, reclamo!

Falo daquela boa impressão que tive

do anseio de te tocar

Da impressão que senti em tê-lo

Da esperança que existia...

Talvez a única dor foi quando te disse palavras

que tentavam disfarçar minha revolta

Compreendes que o meu desencanto me fez ousar

Tola, envergonhada,

Soube do teu perdão...

O meu sorriso é certo,

os meus olhos não saudam a tua presença

Não choram lágrimas tristes

Não insistem em chorar

Prefiro assim:

Confortar-me em sentir

o meu coração em paz

Para Amar,

Amar, amar...






Agradeço aos assinantes deste blog os elogios e a leitura que tanto me previlegia e analtece. Com o meu especial carinho a todos o meu abr...