sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009




Desejos espalhados

Neyde Noronha

Pensa e fala o que sente vontade

Absorve o colorido e o sol com sua energia

Ama escrever ouvindo música

Tem muito o que dizer

O cheiro do jasmim a fascina

Tão simples


Não percebe quando se sente inútil

Às vezes descobre muito tarde

Quer saber o sentido daquele beijo

Se é sincero ou falso

Só consegue saber, cansada de se doar


Tem o ar e a sua própria vida como companhia

Deixa os seus desejos espalhados nos sonhos

Mas só crê neles quando são verdadeiros

Ditos em voz alta

São seus, em seus sentidos


Quer saber o sentido da vida

Com amor

Com alguém que a ame

Como pensa sentir

Quer saber de quem gosta

E quem gosta dela


Para escrever mais

Pintar mais

Desejar mais
No Segredo
(Neyde Noronha)

Que vontade de chorar
A música me envolve
Um elo entre o meu sofrimento
E este momento

Tantas vezes penso

O que estaria fazendo hoje
Se tudo fosse diferente
Olhar o tempo que corre

A ventania que passa rasteira

O que será de mim amanhã
Sem o beijo que tanto quero
Sem o olhar que me preocupa
Me diz algo no silêncio
Qual não entendo
No segredo
Na própria essência do encontro

Queria terminar sem chorar

Escrever mais e mais
Pintar mais com a ilusão
Vencer esta angústia

Tanta graça tem a vida

Quero tanto aproveitá-la
Mas não entendo ela quer me dizer

Quando alguém não quer

Algo terá que se perder
Pra sempre, talvez

E no sussurrar de um som sentido
A minha alma reclama
De dor
De amor

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Portão Aberto

(Neyde Noronha)
O triste olhar percorre os arredores daquela casa onde todos se reuniam junto ao portão em pequenos grupo de amigos .Feitos os deveres escolares, trocar prosas ao lado de um pequeno muro, cercado de flores, o dia-a-dia era então passado a limpo - O papo-rotina de quase todas as semanas. Ainda tentava vender santinhos para as meninas do grupo, que lá mesmo na calçada a noitinha os trocavam em dedicatórias- Para ajudar as Missões... Sonhava ser Missionária depois de ver um filme com o Gregory Peck...Sempre gostou de sorrir, muito e muito, talvez por isto se conserva mais jovem, tem voz de menininha que não cresceu, não mostra a maturidade que hoje tem, mas dá bom astral.O Bira passava de moto as quatro horas da tarde. Passear na Praia de Icaraí. Era uma festa todas as tardes, quando não saia do portão -Não desejava perder o acenar d'aquele bonito moçoSeu primeiro namorado.Lembranças do cheiro de jasmim, humm....que cheirinho gostoso, parece que sente agora!Com o passar dos anos todos se foram, não sabe onde encontrá-los, aquela turma alegre que amarrava uma linha no poste com latinhas cheias d'agua ou uma nota de dinheiro. Pessoas correndo atrás da nota, e, do outro lado tão quietinhos, como se nada soubessem, puxavam o fio! Ah, tanta coisa para contar....E a espada de São Jorge! Na vila ao lado, da janela, de braços cruzados, faziam o mesmo.Quem via a planta banhada em óleo de cozinha pensava que era uma cobra...Saudades do muro baixinho, do portão sempre aberto, dos degraus onde sentavam todos os dias. Hoje, o portão não está mais aberto. A casa abandonada, galhos de plantas nascendo no telhado, muitas grades, muito estranha, sem pintura, com grafismos. Ficamos sabendo que o mau pagador -inquilino, foi preso ( não comentar).
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Agradeço aos assinantes deste blog os elogios e a leitura que tanto me previlegia e analtece. Com o meu especial carinho a todos o meu abr...